Quando eu for grande quero ser
Um bichinho pequenino
P´ra me poder aquecer
Na mão de qualquer menino
Quando eu for grande quero ser
Mais pequeno que uma noz
P´ra tudo o que eu sou caber
Na mão de qualquer de vós
Quando eu for grande quero ser
Uma laje de granito
Tudo em mim se pode erguer
Quando me pisam não grito
Quando eu for grande quero ser
Uma pedra do asfalto
O que lá estou a fazer
Só se nota quando falto
Quando eu for grande quero ser
Ponte de uma a outra margem
Para unir sem escolher
E servir só de passagem
Quando eu for grande quero ser
Como o rio dessa ponte
Nunca parar de correr
Sem nunca esquecer a fonte
Quando eu for grande quero ser
Um bichinho pequenino
Quando eu for grande quero ser
Mais pequeno que uma noz
Quando eu for grande quero ser
Uma laje de granito
Quando eu for grande quero ser
Uma pedra do asfalto
Quando eu for grande...
Quando eu for grande...
Quando eu for grande quero ter
O tamanho que não tenho
P´ra nunca deixar de ser
Do meu exacto tamanho
("Quando Eu For Grande (Carta aos Meus Netos)" -José Mário Branco)

criado por neudeslucena
09:51:54MARIA, MINHA MARIA
Neudes de Lucena
Maria,
minha adorada filha,
hoje é teu dia.
Existem tantas Marias.
Maria, mãe de Jesus,
morto pregado na cruz.
Maria Isabel,
Maria Iracema,
dos lábios de mel.
Maria Rosa,
Rosa Maria,
Maria Cristina,
Maria Antonieta.
Brancas Marias,
Marias pretas.
Somente Maria.
Maria...
Maria..
Maria...
Existem tantas Marias
e muitas outras Marias,
ainda nascerão.
Marias santas,
santas Marias,
para ornamentar santuários.
Mas, entre tantas Marias,
só você,
MARIA DO ROSÁRIO
ornamenta o meu coração.
Parabéns, Maria,
minha Maria,
pelo teu aniversário.

criado por neudeslucena
01:53:59
criado por neudeslucena
16:22:59Luis Gustavo de Lucena
Sonho,
triste ilusão,
realidade sonhada.
A vida
faz da paz sua medalha.
Meu sonho
é o contrário de meu estilo de vida.
Meus problemas
vão além de simples dúvidas.
Através do sonho
faço meu pensamento funcionar,
não como máquina,
mas, como o coração de um pacificador.
E, sonhando,
idealizo o mundo.
No mundo do meu sonho,
guerra
é o ciúme entre as flores,
e a paz tem tantos servos como Deus.

criado por neudeslucena
19:30:55Cruz e Sousa (1861 - 1898)
João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro, atual Florianópolis. Filho de escravos alforriados pelo Marechal Guilherme Xavier de Sousa, seria acolhido pelo Marechal e sua esposa como o filho que não tinham.
Foi educado na melhor escola secundária da região, mas com a morte dos protetores foi obrigado a largar os estudos e trabalhar.
Sofre uma série de perseguições raciais, culminando com a proibição de assumir o cargo de promotor público em Laguna, por ser negro.
Em 1890 vai para o Rio de Janeiro, onde entra em contato com a poesia simbolista francesa e seus admiradores cariocas. Colabora em alguns jornais e, mesmo já bastante conhecido após a publicação de Missal e Broquéis (1893), só consegue arrumar um emprego miserável na Estrada de Ferro Central.
Casa-se com Gavita, também negra, com quem tem quatro filhos, dois dos quais vêm a falecer. Sua mulher enlouquece e passa vários períodos em hospitais psiquiátricos.
O poeta contrai tuberculose e vai para a cidade mineira de Sítio se tratar. Morre aos 36 anos de idade, vítima da tuberculose, da pobreza e, principalmente, do racismo e da incompreensão
DILEMA
De Cruz e Souza
Ao cons. Luís Alvares dos Santos
Vai-se acentuando,
Senhores da justiça -- heróis da humanidade,
O verbo tricolor da confraternidade…
E quando, em breve, quando
Raiar o grande dia
Dos largos arrebóis -- batendo o preconceito…
O dia da razão, da luz e do direito
-- solene trilogia --
Quando a escravatura
Surgir da negra treva -- em ondas singulares
De luz serena e pura;
Quando um poder novo
Nas almas derramar os místicos luares,
Então seremos povo!

criado por neudeslucena
20:45:40