VELHO CAUSIDICO

Há mais de sete décadas venho arquivando, em meu cérebro, consciente e inconcientemente, pensamentos bons e maus, verdadeiros e falsos; fatos e acontecimentos reais e fictícios, alegre e tristes e, também, sonhos, fantasias e quimeras... Criei este

VELHO CAUSIDICO

Há mais de sete décadas venho arquivando, em meu cérebro, consciente e inconcientemente, pensamentos bons e maus, verdadeiros e falsos; fatos e acontecimentos reais e fictícios, alegre e tristes e, também, sonhos, fantasias e quimeras... Criei este
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Terra Blog

Arquivo de: Março 2007, 08

07.03.07

UM HOMEM DA RUA

categorias: POEMAS E POESIAS

           UM HOMEM DA RUA

Neudes de Lucena

Um homem,

um simples e pobre

homem da rua,

só,

faminto,

sem rumo

e sem nome;

um homem

que vendo refletida,

através da vidraça,

sua desgraçada  imagem,

desesperado

( o mesmo desespero que deu a

Cruz e Souza a coragem  de traduzir em sonete,

a angústia da ser preto)

gritou,

            gritou

com toda a força

         de seu axaurido coração:

Hei! Voce ai..!

Ri..

 Ri, triste palhaço

E ele mesmo põs-se a rir.

A princípio,

discretamente,

 o riso frio,

riso dos  que não pode chorar.

Depois, seu riso foi aumentando,

aumentando,

em intensidade  e compasso,

até se transformar  num trágico gargalhar,

choro  dos que não podem rir.

Gargalhou-tragicômico, gargalhou.

E tanto gargalhou que,

exausto

foi ao chão.

Respirou fundo

e quedou-se estático,

mudo,

ali mesmo,

na rua,

onde sempre viveu.

E, aos poucos,

ao som de buzinas,

roncos,

apitos,

vozes,

riso

e choros,

adormeceu,

para nunca mais acordar.